Em Portugal, as responsabilidades parentais substituem a noção antiga de “poder paternal” e referem-se ao conjunto de direitos e deveres que os pais têm relativamente aos filhos menores. Estas responsabilidades abrangem não apenas o sustento e educação, mas também a proteção, saúde e desenvolvimento integral da criança ou jovem.
Segundo o Código Civil, os pais são chamados a tomar decisões conjuntas que impactam a vida dos filhos, mesmo quando vivem separados ou divorciados. Isso inclui aspetos como a escola a frequentar, atividades extracurriculares, apoio médico e regras de convivência.
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O início do ano letivo: um momento de maior exigência
O regresso às aulas é um período em que estas responsabilidades se tornam especialmente visíveis. É nesta altura que se decidem questões importantes como:
- Escolha ou manutenção da escola;
- Compra de material escolar e equipamentos;
- Gestão de horários e atividades extracurriculares;
- Acompanhamento nos estudos e reuniões escolares;
- Responsabilidade pelos custos associados à educação.
Estas decisões exigem diálogo e cooperação entre os pais, mesmo quando a relação pessoal já não subsiste.
Pais separados: como gerir as responsabilidades parentais?
Quando os pais estão divorciados ou separados, as responsabilidades parentais continuam a ser partilhadas. Em regra, a lei prevê que ambos devem participar ativamente nas decisões de maior relevância para os filhos.
Isto significa que, por exemplo, a escolha da escola não pode ser feita apenas por um dos progenitores sem o consentimento do outro. A mesma lógica aplica-se a decisões médicas importantes ou à mudança de residência da criança.
No caso de divergências persistentes, pode ser necessário recorrer ao tribunal, que decidirá sempre tendo em vista o superior interesse da criança.
Questões financeiras no regresso às aulas
Um dos pontos que mais gera dúvidas entre os pais é a divisão das despesas escolares.
De forma geral, a pensão de alimentos que o tribunal define serve para cobrir o sustento diário da criança, como alimentação, habitação e vestuário.
Já os custos com material escolar, livros, propinas ou atividades extracurriculares normalmente não estão incluídos nessa pensão. O mesmo acontece com as despesas médicas e de saúde, que costumam ser partilhadas entre os dois progenitores, de forma equilibrada.
Contudo, há situações em que a pensão de alimentos pode também abranger a educação e instrução da criança.
Por isso, em ambas as situações, pode ser necessário rever ou clarificar os termos do apoio financeiro, cada caso deve ser analisado com atenção.
A lei portuguesa estabelece que cada progenitor deve contribuir para as despesas dos filhos proporcionalmente à sua capacidade económica. Assim, o regresso às aulas é também um momento para avaliar se a pensão de alimentos e/ou pagamento das despesas acordadas continuam adequadas às necessidades da criança.
Mais do que uma obrigação legal, a cooperação entre os pais no regresso às aulas é fundamental para a estabilidade emocional dos filhos. Conflitos nesta fase podem gerar ansiedade e insegurança nas crianças, que devem sentir-se apoiadas e acompanhadas por ambos os progenitores.
A comunicação clara, a partilha de informações escolares e o envolvimento em eventos académicos são práticas que ajudam a reforçar o papel de ambos os pais na vida escolar dos filhos.
Quando procurar apoio jurídico?
Se existirem dificuldades na gestão das responsabilidades parentais, como falta de acordo sobre a escola, incumprimento da pensão de alimentos ou ausência de diálogo, pode ser essencial procurar aconselhamento jurídico especializado.
Um advogado com experiência em direito da família pode orientar os pais sobre a melhor forma de salvaguardar os interesses da criança, apresentar pedidos de alteração de responsabilidades parentais e evitar conflitos prolongados.
Nós cuidamos dos seus direitos
O regresso às aulas é muito mais do que a simples preparação de mochilas e livros escolares: é um momento de exercício prático das responsabilidades parentais. A legislação portuguesa é clara ao determinar que ambos os progenitores têm deveres e direitos iguais no acompanhamento escolar dos filhos.
Manter o diálogo, partilhar decisões e colocar sempre o interesse da criança em primeiro lugar são passos fundamentais para uma gestão equilibrada das responsabilidades parentais.
Entre em contacto com a DURÃES Advogados para agendar uma consulta e esclarecer todas as suas dúvidas sobre responsabilidades parentais com a nossa equipa de advogados.

